Uma presente saudade sinto de uma coisa que nunca se perdeu. Uma saudade de um não sei o quê.
Ainda sinto saudade do que perdi sem nunca ter.
Sinto saudade de uma união que se formou, de um laço que se criou. Sinto saudade do desenho desfeito.
Ainda sinto o cheiro, como se acabasse de sair ou chegar.
Uma timidez disfarçada num grito. Uma brincadeira escondida num sentimento.
Ainda que desfeito o nó, ainda é a mesma fita vermelha e branca.
Sinto o prazer do momento, da insegurança, da aceitação. Sinto o som das palavras ditas na cozinha e do gosto do chocolate do pote de vidro sobre a estante.
Ainda que embaralhada as cartas, os parceiros já haviam sido escolhidos.
Uma tarde de discussão e os desenhos emoldurados expostos na parede. Uma porta de vidro, bolas coloridas na mesa de bilhar.
Ainda lembro de crescer e não achar conhecer.
Ainda me surpreendo por conhecer e acreditar desconhecer.
Ainda sinto o que sentia, como se o tempo tivesse estacionado.
Ainda vejo as ausentes pessoas presentes.
A lágrima ainda tem o mesmo gosto, o suor o mesmo cheiro, a voz o mesmo som, o olhar o mesmo brilho e o amor o mesmo tamanho.