sexta-feira, 9 de outubro de 2009

Ainda sinto

Uma presente saudade sinto de uma coisa que nunca se perdeu.
Uma saudade de um não sei o quê.

Ainda sinto saudade do que perdi sem nunca ter.

Sinto saudade de uma união que se formou, de um laço que se criou.
Sinto saudade do desenho desfeito.

Ainda sinto o cheiro, como se acabasse de sair ou chegar.

Uma timidez disfarçada num grito.
Uma brincadeira escondida num sentimento.

Ainda que desfeito o nó, ainda é a mesma fita vermelha e branca.

Sinto o prazer do momento, da insegurança, da aceitação.
Sinto o som das palavras ditas na cozinha e do gosto do chocolate do pote de vidro sobre a estante.

Ainda que embaralhada as cartas, os parceiros já haviam sido escolhidos.

Uma tarde de discussão e os desenhos emoldurados expostos na parede.
Uma porta de vidro, bolas coloridas na mesa de bilhar.

Ainda lembro de crescer e não achar conhecer.

Ainda me surpreendo por conhecer e acreditar desconhecer.

Ainda sinto o que sentia, como se o tempo tivesse estacionado.

Ainda vejo as ausentes pessoas presentes.

A lágrima ainda tem o mesmo gosto, o suor o mesmo cheiro, a voz o mesmo som, o olhar o mesmo brilho e o amor o mesmo tamanho.

2 comentários:

Luis disse...

Aaaaa que bonitinho

Flávio Corrêa de Mello disse...

Taí gostei muito. Na verdade, o que gosto mesmo é a dicção, é a saudade. Me parece filme e dá uma vontade de sair chorando.